29/04/2009
Dom Divino
A Sombra das Araucárias
Não aprofundes o teu tédio.
Não te entregues à mágoa vã.
O próprio tempo é o bom remédio:
Bebe a delícia da manhã.
A névoa errante se enovela
Na folhagem das araucárias.
Há um suave encanto nela
Que enleia as almas solitárias...
As cousas tem aspectos mansos.
Um após outro, a bambolear,
Passam, caminho d'água, os gansos.
Vão atentos, como a cismar.
No verde, à beira das estradas,
Ma liciosas em tentação,
Riem amoras orvalhadas.
Colhe-as: basta estender a mão.
Ah! fosse tudo assim na vida!
Sus, não cedas à vâ fraqueza.
Que adianta a queixa repetida?
Goza o painel da natureza.
Cria e terás com que exaltar-te
No mais nobre e maior prazer.
A afeiçoar teu sonho de arte,
Sentir-te-ás convalescer.
A arte é uma fada que transmuta
E transfigura o mau destino.
Prova. Olha. Toca. Cheira. Escuta.
Cada sentido é um dom divino.
(Manuel Bandeira)
15/04/2009
Fui-me
Vou-me Embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Lá sou amigo do rei
Lá tenho a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada
Vou-me embora pra Pasárgada
Aqui eu não sou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo inconseqüente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e falsa demente
Vem a ser contraparente
Da nora que nunca tive
E como farei ginástica
Andarei de bicicleta
Montarei em burro brabo
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei banhos de mar!
E quando estiver cansado
Deito na beira do rio
Mando chamar a mãe-d'água
Pra me contar as histórias
Que no tempo de eu menino
Rosa vinha me contar
Vou-me embora pra Pasárgada
Em Pasárgada tem tudo
É outra civilização
Tem um processo seguro
De impedir a concepção
Tem telefone automático
Tem alcalóide à vontade
Tem prostitutas bonitas
Para a gente namorar
E quando eu estiver mais triste
Mas triste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de me matar
— Lá sou amigo do rei —
Terei a mulher que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pasárgada.
(Manuel Bandeira)
07/04/2009
Pra você...
“Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, pois cada pessoa é única e nenhuma substitui a outra.
Cada um que passa em nossa vida, passa sozinho, mas não vai só, nem nos deixa sós; deixa um pouco de si mesmo.
Há os que levam muito, mas há os que não levam nada; há os que deixam muito, mas há os que não deixam nada.
Esta, é a maior responsabilidade de nossa vida e prova evidente de que duas almas não se encontram por caso”
(A. de Saint-Exupéry)
03/04/2009
Estofo
Livros
- “O Romance Morreu” – Rubem Fonseca
Delicioso! Crônicas divertidas e bem cotidianas. Passagens sugestivas e boas de colocar-se no lugar do personagem. Ótimo pra viagens.
- “Quando fui Outro” – Fernando Pessoa
Tããããããããão bonito...
Poesia é “salada de fruta” pra alma...
Tantas cores...
Tantos sabores...
Saudades...
Livro bem inspirador e “suspirador”... ai ai...
- “A Nobre Arte do Palhaço” – Márcio Libar
Ele é meu mestre e amigo, to no começo do livro, mas já estou amando saber tudo sobre o Teatro de Anônimo.
Grupo que admiro tanto.
Depois falo mais...
DVD
- “Sombras de Goya” – Excelente história e atuações! Surpreendente! Meio até indigesto... como a vida é... bom mesmo!
- “Ensaio sobre a Cegueira” – Nosso Fernando Meirelles arrebenta! Uma história louca, trágica e cheia de atitudes humanas... nem sempre boas né meu beim?!
Pois é... Paisagem urbana, direção incrível e os atores... nossos, deles...
Um luxo!
- Batman – Confesso que a expectativa me deu uma rasteira...
Interessante todo aquele bem e mal confusos, misturados, mas aquele ator...
Ah! Meio óbvio demais... meio Ken da Barbie...
Fora o que carregaram na tinta no fato dele ser playboy...
Deu preguiça...
O Coringa, realmente sinistro, mas... prefiro o Jack Nicholson... pronto falei!!